Elas se apresentam como um grupo de mulheres que luta pela liberdade de familiares presos em Cuba. O nome delas, Damas de Branco, dá mais pistas de quem são. O site institucional da organização, com links para páginas de turismo, dá outras. Refere-se cinicamente, de forma indireta, às madres argentinas da Plaza de Mayo e cita uma frase datada e infeliz, do ponto de vista das mulheres de hoje, de José Martí – símbolo da luta de independência de Cuba no século XIX contra o imperialismo Espanhol.
Nesta semana, jornais brasileiros e do mundo divulgaram amplamente a repressão da polícia cubana aos protestos destas Damas. Com direito a fotos em plano fechado de protestos de meia dúzia de mulheres - aparentemente integrantes da elite ligada ao turismo – e a ação de uma polícia nitidamente muito mais preparada que a nossa. Dá vontade de rir, de verdade. Polícia feminina em manifestações de mulheres como a que vemos na foto abaixo? Colocadas num ônibus e levadas para casa, como diz a matéria de O Globo?
Nunca vi por aqui. Muito pelo contrário. Aqui se é jogada num camburão e levada pra delegacia. Eu mesma já corri de cacetete da polícia em manifestação do 8 de março. Já vi amigo tomar porrada tanto no Recife quanto em São Paulo. Alguns têm ‘tatuada’ no corpo a violência da polícia paulistana, que ano passado chegou ao ponto de invadir o campus da USP jogando spray de pimenta em alunos, professores e funcionários.
Mas, afora a questão policial – que no mundo dos meus sonhos sequer existiria, porque eu odeio repressão, aqui ou em Cuba - o que salta mesmo aos olhos é o destaque que a mídia deu a essa manifestação de 10 (dez) mulheres cubanas. Nesta mesma semana, 2.000 (duas mil) mulheres marchavam de Campinas até São Paulo, durante dez dias, reinvindicando direitos, autonomia, liberdade, exigindo um mundo sem violência. Quase nada se viu nos jornais a respeito.
Mas as Damas de Branco ganharam capas no mundo inteiro. Um mundo que odeia o paiseco socialista e pobre que apresenta índices sociais e desempenho olímpico de fazer inveja a muitas ‘potências’ capitalistas por aí. E os senhores da mídia que sustentam esse mundo não podem perder, jamais, a oportunidade de fortalecer os críticos de um regime conquistado e sustentado pelo povo cubano há mais de 50 anos, que conseguiu, mesmo com as dificuldades econômicas, resolver problemas sociais que o capitalismo não resolveu na maioria dos países e que, apesar de suas contradições, grita em silêncio, o tempo inteiro, que as ‘verdades’ estampadas diariamente nos jornais do mundo não são absolutas.

A foto é da Reuters e o ctrl C é da matéria dO Globo
Mariana:
Adorei sua nota. Deixo um link com um video espanhol, trata com ironia do mesmo assunto.